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Gustavo Sn
Comentário ·
há 11 anos
Por que o Brasil mata (no trânsito) 4 vezes mais que a União Europeia?
Luiz Flávio Gomes
·
há 11 anos
Um outro costume do Brasileiro que não foi mencionado no texto é o de sempre colocar a culpa de tudo no particular, no cidadão: é um discurso velho e clichê de que o cidadão brasileiro seria o culpado de tudo, porque ele não seria educado, não estudaria, não trabalharia, não obedeceria leis, rouparia, se corromperia, etc. Eu raramente vejo um texto em que a responsabilidade das três esferas do Estado são diretamente citadas como culpadas por problemas. O trânsito é um tema emblemático: todos parecem acreditar e adotar cegamente a noção de que o cidadão brasileiro supostamente seria o culpado do alto grau de acidentes e mortes no trânsito, porque, supostamente, seria o cidadão brasileiro quem não obedeceria as regras, a sinalização e os limites de velocidade. Eu dificilmente vejo uma crítica realista, que faça uma comparação entre a infraestrutura de trânsito de outros países como os da UE. As comparações comumente se limitam ao suposto comportamento pessoal dos cidadãos europeus, japoneses ou norte-americanos, supostamente perfeitos, face ao supostamente imperfeito comportamento do cidadão brasileiro. Mas não é por aí, ao menos não é exclusivamente por aí. Os limites de velocidade que temos nas vias brasileiras são ridiculamente baixos. São feitos para serem desobedecidos, pois são baixos a ponto de serem manifestamente incompatíveis com qualquer critério de eficiência do trânsito. Se você mesmo, que lê este texto, não dirige acima dos limites de velocidade, que jogue a primeira pedra. Sabia que dentro de sua cidade poucos são os trechos que permitem mais de 40 km/h? E que provavelmente em nenhum lugar você poderia ultrapassar os 80 km/h? Será que vc sequer lembra desses limites quando está dirigindo e não vê polícia? Não é só você que ultrapassa esses limites. Mas os limites não são questionados por ninguém. É como se o Estado lavasse as mãos: se der algo errado, a culpa é do cidadão, porque ele certamente estaria além do limite de velocidade. Sempre o cidadão. E o que o Estado faz para fingir estar resolvendo o problema? Ele aumenta as multas, aumenta massivamente o investimento na estrutura de fiscalização e cobrança de multas, com câmeras infravermelhas, radares, sensores portáteis caríssimos: aumenta sua arrecadação. Não investe de fato na raiz do problema: a infraestrutura, o traçado, a qualidade do asfalto das próprias estradas. O Estado, em suas três esferas é omisso, salvo se para aumentar a arrecadação tributária. Mas o cidadão brasileiro, por algum motivo obscuro em seu atavismo intelectual, permanece sempre acreditando que o problema seria exclusivamente ele mesmo, que ele é o único culpado, porque ele passou dos 80 km/h em uma estrada esburacada, cheia de curvas desnecessárias e sinuosas, numa BR qualquer, porque todos os trechos das estradas do Brasil poderiam ser adornados com aquelas placas sinalizadoras cretinas do tipo "Atenção: trecho com alto índice de acidentes". Ah, o que dizer então, por exemplo, dos alemães, que ultrapassam os 160 km/h nas autobahns? Isso é legal lá e os índices de acidentes ou mortes nessas estradas alemãs são baixíssimos. Será que dá pra acreditar que o brasileiro, o cidadão brasileiro, dirige tão mal assim e que o cidadão alemão dirige tão bem? Seria essa a explicação do problema? Será que o executivo, o legislativo e o judiciário brasileiro não têm nada a ver com isso? A maior culpa do cidadão brasileiro é realmente acreditar que ele é o culpado de tudo. O Estado, inclusive seus políticos da esfera executiva, agradecem.
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Gustavo Sn
Comentário ·
há 12 anos
Corrupção e o sistema eleitoral clientelista
Luiz Flávio Gomes
·
há 12 anos
Esse artigo me faz lembrar que o Prof. Luiz Flávio Gomes, fora seu saber jurídico vasto, tem a habilidade de sintetizar questões complexas em poucas e claras palavras. Acho que foi a primeira vez este ano que li um artigo que versa, ainda que incidentalmente, sobre eleições e o antagonismo entre PT e PSDB, sem que houvesse uma parcialidade aparente ou uma acusação infundada de parte de um ou de outro lado. Independentemente da orientação política do autor, esse artigo pode certamente ser considerado imparcial.
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